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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O GRAXA

O GRAXA
é coxo o graxa
que me engraxa

à fé de quem sou
que o graxa é coxo

é coxo
e tem uma cara cheia

- de bolacha
tem os joelhos roxos

arrasta-se
rasteja
serpenteia
esgatanha a areia
com a caixa
da graxa

finge que sabe tudo o graxa
é só laracha

à fé de quem sou
vos juro
que não sabe o coxo
da desgraça

que extravasa o bojo
de quem calça
os sapatos
que engraxa


Platero
IN "Mais Évora"

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Velha Rola

Afina o seu velho bico
A rola no seu coral .
Que de bem entoar encanta
Num vasto e loiro trigal.

Ao bando se aconchega
Como é lento o seu voar.
Como ela ninguém canta
Mágoas de muito pesar.

Asa depenada, descaída
Grito que teima em não soltar
Canora de verdade vivida.

P'lo tanto do seu penar
Por libertar seu pensamento
Nela se vê; seu mal espantar.

Júlio Amaral

segunda-feira, 30 de maio de 2011

PRESO A TI

Eu sei lá porque é
Que digo o que digo
Quando por vezes tu dizes não.
Só sei que digo quando digo
O que na verdade sinto
Que gostar de ti não é em vão.

Vejo dentro de mim
O meu eu! Contrariado
Por vezes sem razão.
Mesquinha é a atitude
Espinhoso se torna o caminho
Quando recuso dar-te a mão.

Ao ler-te, serena ponderada
Atitude vertical e constante
Sem tropeços nos laços da ilusão
Sem veres; apenas sentes
Que sonhos jamais esquecidos
Se alojam no coração.

E por isso me conforto
Em cada dia que passa
Junto a ti com emoção.
Vivo a vida intensamente
Sem dos teus braços me desprender
Prisioneiro d'uma paixão.

Júlio Amaral

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O SILÊNCIO GRITOU

O SILÊNCIO GRITOU

Aos trinta, ainda tinha
No rosto, beleza apurada
E uma tristeza persistia.
sentiu-se por dentro surrada
por fora sinais não visse,
Desejo vago que ainda temia.

Grilhetas que fechavam
Os olhos ao coração,
E um leito em desalinho.
À mordaça disse não
Viu novo horizante
Para além do seu cantinho.

Agitou o seu silêncio
Orgulhosa! Juntos gritaram
Até ferirem os ouvidos.
Denunciados e vincados gestos
Teimosamente conseguidos.

Não deu dias à mentira
Luz que não tapou
Por nada acontecer à verdade.
Palavra que de lutar deixou,
P'la harmonia conquistada
Trocou submissão por liberdade

JULIO AMARAL

CONCORDÂNCIA

CONCORDÂNCIA

No palco da vida
A dissonância vaidosa
Em fim de concerto
Negativo e seu retrato
P'la ambição desmedida
Em cacofina ardilosa

Tudo parecia dar certo
Causa alheia envolvida
Surdo na conveniência
Verdade erradamente proferida.

Deixar arrebatar-se
P'lo mundo das ideias
É permitir alterações
Qual canto harmoniosa das aves

Diz; quem é mais sábio
Hoje do que ontem
-Errar não é vergonha-
E admite que:
Autêntico é aquele
Que canta sem música.

JÚLIO AMARAL

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O CAMINHO

Não sei se !? O que procuro
Pertence ao meu mundo.
Não sei meu amor.
Não sei se !? O que somos
Não é mais do que:
O nosso pensamento profundo.

Imaginário é o caminho
Breve e ao acaso,
Ainda bem não ! encruzilhado.
Soluções que de mim
E de ti fogem.
Em sonhos de todas as cores
Só por nós partilhado.

E quando por vezes
nos fundimos com prazer
E tu e eu somos um !
Minha; é a loucura desmedida
Sábio; é o teu doce proceder
Enevitável o caminho em comum.

Julio Amaral

segunda-feira, 4 de abril de 2011

POESIA

Comício na Cidade


Na calçada já gasta
Cansado, parco d'ouvido
Na rua batendo-pé
Solidão, mermúrio e gemido

D'ombros caídos - O José -
Com seus botões resmungou
Rosato severo enrugado
Na esquina (um lamento encontrou).

Na praça movimento fervilhado
Mentira disfarçada - Desiludido -
Semblante d'espanto marcado.

Foi falso, comprometido
Lider com gesto meditado
De julgamento sem sentido.

JÚLIO AMARAL

segunda-feira, 21 de março de 2011

É URGENTE


É Urgente

É urgente trocar
Tristeza por alegria
Que nem apito de dôr
D'ambulância em correria.

É urgente acabar
Com sul de norte perdido
Por quanta falsa promessa
Quanto futuro comprometido.

É urgente encontrar
Rumo certo colorido
Sem a côr ter de mudar

Mas;se for esse o sentido
É urgente caminhar
Lado a lado contigo.

JULIO AMARAL

segunda-feira, 7 de março de 2011

POEMA

PORQUE ÉS MULHER

Neste prado verdejante
De lençois de fina côr
Onde o teu e o meu
Ego se alimentarão.
P'ró que der e vier
Quero dar-te a mão.

Onde há coisas que!
Ousas em não dizer,
E eu seu que sentes
Qur dentro em pouco te esvais.
A promessa dum porto segura
e a partilha do mesmo cais.

Deixas-t'ir devagar
Com tão doces ais
P'lo que vejo em teu olhar
Num sofrer de felicidade,
Se o tempo breve não for
E nele cabe toda a verdade.

Na certeza dum amanhã
O sentir mais profundo
Ao segredar-te ao ouvido
Bendita sejas porque és MULHER
Quero dar-te a mão
P'ró que der e vier.

Poema da autoria de JULIO AMARAL

quarta-feira, 2 de março de 2011

"Tudo chora"

Tudo chora


Chora o rio
Que está em agonia

Choram os peixes
Que estão a morrer

Choram os pinheiros
Que morrem sufocados
Pelo fogo ardente
Que não é inocente

Choram os passarinhos
Nos salgueirais
E laranjais

Choram os animais
Que estão desolados
Por serem maltratados

Choram os frutos
Que morrem
Com os produtos

Chora o mar
Porque
O estão a matar

E …

Chora o homem
Que anda à nora
A toda a hora
Pela noite fora
Desde a aurora

A sua ganância
E intolerância
Destrói o homem
Que por si chora


Do livro – Farrapos vivos


De Manuel da Silva Major

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Silêncio Quebrado

Silêncio Quebrado

A Rosa Maria teimava
Côr que perder; - Não queria
Tão pouco sensual odôr
Menos ser rosa sem espunhos
Nem causar dôr a quem a tolhia.

Sacrificando-se sem sacrifício algum
Ainda assim; - Por vezes subjugada
Sem mistérios, sem segredos
Que dos seus, a Rosa sofria
Destinada a ser desfolhada.

Escravizada nos deveres
De pétala caída; - Cançada
Descolorida entre quatro paredes
Ao surdo grito se prendia
Taciturna e à mordaça forçada.

No seu jardim de espinhos floridos
Dela; - Tudo se servia
Magoada - Decidida - Revoltada
Lutadora e até guerreira
"O silêncio" quebrou um dia

                                               JULIO AMARAL

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

"Vida lixada"

Vimos hoje dar a conhecer a veis poética do nossa prezado amigo JULIO AMARAL


"Vida Lixada"

Em manhã primaveril
De sorriso desenhado no rosto
E a promessa d'alguma fartura.
- Duro - Tem sido o seu viver
Franziu a testa (desligou a telefonia)
- Deixa lá ver se o tempo segura!-

À tarde! (ergueu-se)
De cãs, e um pouco curvo
- Tanta palavra por colher -,
Olhou p'ró céu (meditou)
Aos sessenta! confirmou a dúvida
Afinal vai chover-

De regresso a casa ressentido
Ajeitou o velho chapéu
O José da mão calejada.
Maldizia o seu destino
Um peso o vergava - "Divida pública" -
Que porcaria de : (vida lixada).

Em noite outonal! (inconformado colhia)
Letra a letra de novos saberes
Esperança nos seus a depositar.
Negação de continuidade
A quem mandou chover
P'ra no futuro não mais voltar-


                                                   JULIO AMARAL

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Poema de MANUEL MAJOR

As formigas

Um rancho de raparigas
Com chapéu de palha
E rosto embornicado
Pareciam formigas
Cantavam lindas cantigas
E trabalhavam sem fadigas

Eram as mondadeiras
Cheias de olheiras
Limpando as sementeiras

Com o seu corpo cansado
Não tinham um lamento
E a cada momento
O calor era um tormento
Mas…
Quando chega o vento
Este sopra a contento
E a seara e as suas ondas
Apreciam as mondas
Das raparigas formosas
Sempre desejosas
Que a brisa não acabe…

Do livro FARRAPOS VIVOS (Ainda em impressão)

FARRAPOS VIVOS - Poemas de MANUEL MAJOR

Aqui se publica mais um poema do nossa amigo MANUEL MAJOR


O pintor

Alcandorado no trono
Até parece que é dono
De toda a vizinhança
Que já perdeu a esperança

O trono dá saber
No modo de viver
Pois basta ser pintor
Um quadro pintar
Depois o avaliar
Vender e saber falar

Falar cria emoções
Fascina os corações
Cria rios de ilusões
Que acabam em traições

E quem acreditou
Depois verificou
Quem o enganou

MANUEL MAJOR, do livro FARRAPOS VIVOS (Ainda em impressão)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Poema do Antigo Aluno MANUEL MAJOR

O cheiro


Senti-lo… é ver
Nos montes
As casas baixas
Brancas e caiadas
Com salpicos de oca
Envolvidas num cheiro
Suculento
Absorvente
E envolvente

Ele não se explica
E só é perceptível
Por quem o sinta
Por quem o viva
E por quem o conheça

É o Alentejo

Do sol a doirar
E do trigo a crescer

Dos pintassilgos
Melros e picanços
Debicando o trigo
Das espigas loiras
Envolvidas em papoilas
Debaixo de um calor
Dum sol dardejante

MANUEL MAJOR